Gil VIcente, foto: Google
Gil Vicente criou todas as suas peças estando sempre ao serviço e para
prazer da Corte portuguesa, para um dos públicos mais cultos da Europa dos
primeiros anos de quinhentos, o seu teatro não se pode confundir com teatro
popular, nem o seu teatro se pode entender como teatro religioso, pois o autor
nunca esteve ao serviço da religião nem da Igreja, e nem nenhuma das suas obras
se pode considerar como uma obra de devoção. Como o próprio autor diz na carta
preâmbulo a el-rei João III de Portugal, Vossa Alteza haveria
respeito a serem muitas delas de devoção, e a serviço de Deus endereçadas, e
não quis que se perdessem, como quer que cousa virtuosa por pequena que seja
não lhe fica por fazer...
Em suma, era o rei que considerava as peças de teatro de Gil Vicente como obras de devoção e ao serviço de Deus endereçadas, não o seu autor.
CSobre os autos de natal realizámos uma leitura um pouco mais atenta que o comum e, publicámos uma primeira análise do Auto de Sibila Cassandra (natal de 1511), juntamente com o nosso estudo sobre o Auto do Velho da Horta, que está na sequência de Cassandra na sua figuradaHistória da Europa, e também uma listagem de todos os autos de Natal, assim como outros com temas que numa primeira leitura (pela nossa alma - mentalidade - mais simples) aparentam religiosidade, como o Auto da Alma, pelo que remetemos o leitor para as respectivas páginas.
Em suma, era o rei que considerava as peças de teatro de Gil Vicente como obras de devoção e ao serviço de Deus endereçadas, não o seu autor.
CSobre os autos de natal realizámos uma leitura um pouco mais atenta que o comum e, publicámos uma primeira análise do Auto de Sibila Cassandra (natal de 1511), juntamente com o nosso estudo sobre o Auto do Velho da Horta, que está na sequência de Cassandra na sua figuradaHistória da Europa, e também uma listagem de todos os autos de Natal, assim como outros com temas que numa primeira leitura (pela nossa alma - mentalidade - mais simples) aparentam religiosidade, como o Auto da Alma, pelo que remetemos o leitor para as respectivas páginas.
Sobre a prosa conhecida de Gil Vicente, o Preâmbulo que referimos, e a Carta de Santarém (1531) a el-rei João III de
Portugal - não se conhecem outros documentos em prosa (própriamente dita) do
autor dos autos - já evidenciámos, pela sua leitura que fizemos, que o seu
autor (Gil Vicente) como no discurso retórico aos clérigos, - a sua fala em Santarém - se exclui a
si próprio das crenças religiosas. Contudo não é nosso propósito afirmar se Gil
Vicente seria ou não crente desta ou daquela religião, mas tão somente
apresentar a sua obra dramática. E na sua obra, a religião como ideologia da
época, está sempre presente. Assim como estão presentes as várias instituições
que comandam essas ideologias e os seus ideólogos, como todos aqueles que as
orientam e lideram, e as suas variadíssimas lutas pelo poder, pelo domínio
absoluto dos seus oponentes, reflectindo assim a realidade do seu tempo na
Europa.
Um exemplo significativo destas palavras é dado por Gil Vicente (entre muitos outros) em Sibila Cassandra... Está disponível a breve descrição da peça que não deixa margem para dúvidas, embora os espíritos mais simples ou com défice cultural, ou de leituras - muito embora carregados de livros (ou citações), - possam não se aperceber que a Cassandra de Gil Vicente é a donzela bela da cantiga feita e ensoada pelo autor, que não deve - e não pode - ser violada como foi a Cassandra troiana.
Um exemplo significativo destas palavras é dado por Gil Vicente (entre muitos outros) em Sibila Cassandra... Está disponível a breve descrição da peça que não deixa margem para dúvidas, embora os espíritos mais simples ou com défice cultural, ou de leituras - muito embora carregados de livros (ou citações), - possam não se aperceber que a Cassandra de Gil Vicente é a donzela bela da cantiga feita e ensoada pelo autor, que não deve - e não pode - ser violada como foi a Cassandra troiana.
Como demonstrámos com o nosso elementar estudo da época, e com a mais
atenta análise do Auto da Visitação (1502), Gil Vicente, desde
logo, nesta sua primeira obra, mostra conhecer o teatro grego e saber usar os
preceitos para a tragédia que Aristóteles analisou na sua Poética.
Um conhecimento elementar da época serve para demonstrar o desvio total da realidade de quase todas as leituras de Gil Vicente feitas desde o romantismo. Interpretando mal, ou antes, ignorando o Poder da Mesta de Pastores e do Conselho Real de Espanha, o Conselho e Aldeia; ignorando o que era um Vaqueiro, uma Cabaña, o que era uma Visitação; ignorando ametáfora patoril começada por Juan del Encina, - pelo qual este mesmo autor se lamenta e contesta de o compararem com os pastoris tradicionais; - ou a estrutura dos versos em estrofes, e estas nas coplas, ou enlaces; as mudanças na acção (drama) dadas pelas alterações no formato das estrofes e nas rimas; as alterações na intervenção da personagem falante que passa da expressão individual para um colectivo, do momento em que o colectivo se confronta com o indivíduo, etc.; em suma, pior ainda, ignorando a estrutura da peça de teatro e desconhecendo o que era uma acção teatral profana, ou os Edifícios e os Triunfos na época, a ponto de não se aperceberem que o vaqueiro fica deslumbrado com a beleza e riqueza da Cabaña que nunca antes conhecera, masreconhece a jovem mãe rainha Maria (com 20 anos acabados de fazer) de outros tempos passados; etc..
- Já demonstrámos como se tem confundido o termo Cabaña do sayaguês e do castelhano, com a cabana portuguesa, entendendo-se por isso, uma choça, em vez de uma organização empresarial. Mas sublinhámos muitos outros pormenores importantes para a interpretação de um texto, e mais da metáfora, mais ainda de uma obra de Arte.
Um conhecimento elementar da época serve para demonstrar o desvio total da realidade de quase todas as leituras de Gil Vicente feitas desde o romantismo. Interpretando mal, ou antes, ignorando o Poder da Mesta de Pastores e do Conselho Real de Espanha, o Conselho e Aldeia; ignorando o que era um Vaqueiro, uma Cabaña, o que era uma Visitação; ignorando ametáfora patoril começada por Juan del Encina, - pelo qual este mesmo autor se lamenta e contesta de o compararem com os pastoris tradicionais; - ou a estrutura dos versos em estrofes, e estas nas coplas, ou enlaces; as mudanças na acção (drama) dadas pelas alterações no formato das estrofes e nas rimas; as alterações na intervenção da personagem falante que passa da expressão individual para um colectivo, do momento em que o colectivo se confronta com o indivíduo, etc.; em suma, pior ainda, ignorando a estrutura da peça de teatro e desconhecendo o que era uma acção teatral profana, ou os Edifícios e os Triunfos na época, a ponto de não se aperceberem que o vaqueiro fica deslumbrado com a beleza e riqueza da Cabaña que nunca antes conhecera, masreconhece a jovem mãe rainha Maria (com 20 anos acabados de fazer) de outros tempos passados; etc..
- Já demonstrámos como se tem confundido o termo Cabaña do sayaguês e do castelhano, com a cabana portuguesa, entendendo-se por isso, uma choça, em vez de uma organização empresarial. Mas sublinhámos muitos outros pormenores importantes para a interpretação de um texto, e mais da metáfora, mais ainda de uma obra de Arte.
Também fruto de um conhecimento do teatro grego (comédia
antiga,
Aristófanes) e romano (Plauto e Terêncio) por Gil Vicente é o seu Auto da Índia, o primeiro modelo de
teatro de capa e espada da renascença (e o primeiro Dom
Juan),
do qual apresentámos a nossa primeira leitura e colocámos em domínio público na
Internet em Julho de 2009, - e como divulgação - do nosso texto enviámos cópias
a muitos dos responsáveis nestes assuntos nas instituições universitárias de
Portugal e de outros países, aquelas com Cátedras da lingua e cultura
portuguesa.
Fonte: O Teatro de Gil VIcente-http://www.gilvicente.eu/autos/ordem.html
Amanhã tem mais matéria sobre Gil VIcente, este grande escritor do teatro mundial.
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